A Minha Nuvem

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Location: British Virgin Islands

Thursday, March 08, 2007

A verdade

A felicidade não está nas coisas nem nos outros, está em nós.

Saturday, February 24, 2007

Oblivion

É de minha natureza confiar. Começo por achar que todas as pessoas são boas dando-lhes a oportunidade de me darem razão.
O problema é que raramente o fazem. Geralmente aproveitam a porta que se abre para entrar e roubar um pouco mais da minha fé na porra da humanidade.

Pega-se em alguém de quem todos falam mal e o que deve fazer-se? Desconfiar logo à partida ou dar o benefício da dúvida? Provavelmente dever-se-ia entrar nesse encontro com os dois pés atrás. Não é de minha natureza fazê-lo. Gosto de conhecer e avaliar por mim. Se assim não fosse, o processo de confiar em alguém começaria a tornar-se complicado.

Os assaltos à minha confiança têm sido sucessivos nestes - já alguns - anos de vida adulta.

Mas para se fazer uma amizade não tem que começar-se por confiar em quem não é nosso amigo? Não temos que começar por tratar o (des)conhecido como o amigo que pode vir a tornar-se?

A mim parece-me que sim. E mesmo sentindo a dor de cada assalto que é feito à minha intimidade e à minha confiança, sinto um saldo positivo quando vejo que, dos vários que deixei passar as barreiras e os medos, alguns ficaram.
Porque querem. Porque eu quero.
Para esses, o meu carinho por me ajudarem a manter a porta aberta ao fazerem-me achar que valeu a pena.

Para os outros o meu esquecimento possível, para que não destruam a menina confiante que há em mim. Recuso-me a mudar por quem não merece.

«Swallow my doubt, Turn it inside out
Find nothin' but faithin nothing
Wanna pull my tender Heart in a blender
Watch it spin round to a beautiful oblivion»

«Ter êxito é aprender a ir de fracasso em fracasso sem cair no desespero».

Tuesday, February 20, 2007

Ahhh...mas não foi assim...

Mas não foi assim...
by Xutos & Pontapés

Naquele dia parecia
Que tudo iria dar certo
Acordei tarde e confiante
Em conseguir tudo o que queria
Já com o sol bem alto
Eu decidi seguir o meu caminho
Hoje era o dia de alcançar
Tudo o que tinha sonhado
Sai pra rua sem querer saber
Aquilo que me iria acontecer
Senti que tinha chegado o momento
De correr tanto ou mais que o vento
De correr tanto ou mais que o tempo
Ahhh...mas não foi assim...

Mas a vontade de alcançar
Foi muito mais forte do que eu
E que tamanha era pressa de chegar
Que nem sequer me apercebi
O que foi que me aconteceu
Deixei tudo pra trás sem querer saber
Deitei tudo a perder sem sequer pensar
Em tudo o que apostei naquele momento
Eu quis correr contra o vento
Eu quis correr contra o tempo
Ahhh...mas não foi assim...



(Mas, um dia, vai ser assim. Porque eu não desisti de correr.)

Tuesday, February 13, 2007

366ª

«A falta de Amigos faz com que o mundo pareça um deserto»

Esta é uma das 365 frases que constituem a mais bela prenda de aniversário que alguma vez recebi. Sinto-a como verdadeira.



Mas até os Amigos têm que ter limites e respeitar mesmo o que não compreendem ou aquilo com que não concordam pois só assim se pode confiar tanto que lhes podemos dar tudo o que faz parte de nós e só confiando se pode ser Amigo.

Esta é a 366ª. Não a li mas sinto-a.

Wednesday, January 31, 2007

Armas de arremesso

'Sticks and stones may break my bones, but words will never hurt me.'

Não é verdade. As palavras são armas de arremesso ferozes. Muitas vezes seguem o seu caminho sem que sequer obedeçam à nossa pontuação. Começamos a falar e acabamos por estar a dizer algo completamente diferente do que pretendíamos.

Piores que as palavras que se dizem, só as que se escrevem, as que não têm entoação. Aquelas que, ficando vazias da emoção de um olhar que as acompanha, despidas de uma expressão do rosto ou de um sorriso que desenhe a sua verdadeira intenção, transformam-se, ganhando contornos deturpados.

É preciso ter cuidado com as palavras. São matreiras. E magoam mais que pedras e paus. Muito mais. Especialmente as que se fazem de mal entendidas.

Monday, January 29, 2007

Tic... Tac...

Ouço uma sonata para piano e flauta. É dedicada a uma Susana. Eu não sou Susana. Não tenho sonatas que me sejam dedicadas.

'Do Fundo do Coração' é um filme do Coppola. Poucos se lembram deste filme quando se fala em Coppola. Mas a esta cabeça, com prioridades que às vezes nem eu entendo, é sempre o primeiro que ocorre. One From the Heart... É um musical. Com gosto a fábula cruel como alguém já o adjectivou. Mas para mim é um dos filmes mais bonitos de sempre. Dizem que este filme foi um fracasso. Não vendeu... Mas a mim conquistou-me.

'A minha vida sem mim'. Outro filme. Muito mais recente. Não me lembro quem o realiza. Só sei que um dos produtores é o Almodovar. Não é uma fábula. Não é um musical. Mas é cruel como a vida.
'A minha vida sem mim' conta a história de uma jovem, Ann, mãe de duas filhas, a quem dizem que tem um tumor e apenas mais dois meses de vida.
Horas depois de ter acabado de ver este filme concluí que Ann tinha tido sorte: tivera um pré-aviso de morte e pudera usar esses dois meses para se despedir da vida. Comentei essa minha análise com uma amiga.

Recebi um murro no estômago em forma de resposta: 'Mas todos nós recebemos esse pré-aviso', disse.
'Quando nascemos'.

Tic... Tac...

Sunday, January 14, 2007

Em suspensão

Está em suspensão. Há demasiado tempo. Irrita-se por não sair do sítio. Irrita-se ao ouvir-se falar sobre problemas aparentemente inexistentes, inventados. Ouve vozes. Dizem-lhe precisamente isso: nada importa.

Que adiantam as vozes racionais se as palavras não passam do saber ao sentir? Não sente essa relatividade das coisas que se esforça por pensar. Ouve. Percebe. Mas não sente.

Recorda outras formas de suspensão. Formas em que a vida que pairava fazia sentido. Ausente do tempo e do espaço, as coisas pequenas desvaneciam-se, insignificantes. Eram breves momentos mas duravam a eternidade do batimento cardíaco que tardava a recuperar o ritmo normal.

Talvez fosse apenas mais um engano. Mas, de respiração suspensa como o corpo, ausentava-se do mundo, parava de pensar e sentia-se especial.

Hoje sabe que ser especial não depende de nenhuma qualidade própria. Que nada se pode fazer para o ser. É o outro que inventa em nós essa qualidade de ser especial.

Hoje sabe que há seres especiais. Os outros.

Saturday, January 13, 2007

Sombra Colorida

Sou uma.

«Às vezes fico deserto
Como um beco sem saída
A vida está tão perto
Passa ali na avenida
Mas prefiro ficar longe
Sem ninguém para falar
Deixo-me ficar perdido
Não querendo ter lugar

E nesses dias sozinho
Acabo por me encontrar
Nunca gosto do que vejo
Mas vou tentando emendar
Vou olhando a minha sombra
Que no muro é colorida
Acho que é essa sombra
que me faz voltar à vida

E no meio da avenida
Acabo por te encontrar
Acabou-se o beco escuro
Tudo volta ao seu lugar.»

(Vim do concerto dos Xutos & Pontapés. Foi simplesmente fantástico.)

Thursday, January 04, 2007

Uma janela entreaberta

Entro na vida do outro pela janela da escrita. Abre-a e deixa-me vaguear pelos seus sentimentos mais profundos. Sinto-me privilegiada. Mas, à medida que a leitura avança, o desconforto aumenta. A dor é demasiado intima. As palavras demasiado verdadeiras embora ele diga que só tocam a superfície.

Mergulho num ser que sinto fazer um pouco parte de mim e que queria proteger do frio e deste Inverno aparentemente eterno. É impossível. Sinto-me desarmada perante tanta dor. Só a posso receber. Juntá-la à minha. E esperar que as duas juntas se destruam. Mas isso não diminui a dor do outro. E a minha é tão infima comparada com o seu sofrimento que se envergonha e nada consegue destruir.

As minhas palavras já não fazem sentido nem aos meus ouvidos. Não sou capaz de repetir as fórmulas de alento. Não sei o que dizer. A convicção já não é a mesma. Vejo-o ter medo e tenho medo pelos dois.

Acusa o mundo de o querer como exemplo de que a vida pode ter momentos bons, que vale a pena ter esperança. Tem razão. Preciso desesperamente que ele seja o meu exemplo. Mas não lhe imponho esse fardo, embora ele o sinta. A merda da vida é que tem que me dar esse exemplo se espera que eu acredite.

Entra-se na vida do outro e fica-se sem saída. Ficamos perdidos num labirinto de onde não se conseguirá sair se se deixar alguém para trás.

Vou ficar aqui.

Não te posso deixar para trás. Nem que o peças.

In Diário Inexistente

Thursday, December 28, 2006

Natal Moribundo

Este ano o natal esteve em coma.

Entre desgostos, hipocrisias, ausências sentidas, algumas (poucas) desejadas, muitas incompreensíveis, amigos que partiram, alguns que andaram perdidos, sonhos desfeitos, esperanças vãs, o natal passou mal.

Incapaz de lidar com o mundo em que vive, o natal acordou um dia sem conseguir sê-lo. Incapaz de se arrastar para fora da cama, fez greve, deixou de comer, escondeu a cabeça debaixo dos cobertores, emudeceu e tentou esperar que o estúpido mês de Dezembro acabasse.

No quentinho da sua cama fingiu não ouvir a rídicula azáfama de quem compra presentes sem sentimento, a correria de quem, uma vez por ano, se lembra que família e amigos existem e que devemos ser todos bonzinhos.

De olhos cerrados e mãos nos ouvidos, o natal pensou como ninguém se lembra que é suposto estar-se a celebrar um nascimento. Baby jesus is born. Praise the lord.

Hipocrisia. Sorrisos forçados. Beijos e abraços sem valor. Despidos de calor por um ano de indiferença.

- NÃO, - pensou - RECUSO-ME A PARTICIPAR.

E assim foi. Mesmo que ninguém - ou quase ninguém - tenha dado por isso, este ano, o natal não aconteceu. Pelo menos não aconteceu como está escrito nos comerciais que inundam televisões e caixas de correio. Não houve gritinhos de alegrias não partilhadas, nem excessos de prendas, nem beijos que não fossem dados com amor, nem nada comprado sem intenção.

Apesar disso, e não sorrindo a ninguém simplesmente por não ter vontade, o natal lá saiu da cama e fez-se à estrada. Não se sentiu feliz. Mas estava em paz.

A soro, meio moribundo, ganhou forças para viver mais um ano, para esperar por outro Dezembro em que a alma tenha menos frio.

Provavelmente só o conseguiu porque naquele caminho cruzou-se com outras almas com mais frio que a sua. Mas também porque houve quem antes o tivesse ido aconchegar à sua cama.

A hipocrisia (mesmo a mais inofensiva ou bem intencionada) morreu.
2007 dirá se o Natal sobrevive.

Tuesday, December 12, 2006

Um silêncio oriental

Hoje, no comboio, ouvi o silêncio oriental.

Já o devo ter ouvido outras vezes mas só hoje me apercebi dele. Por nenhum motivo especial. Ou melhor, por um motivo muito especial: ontem falaram-me sobre ele e eu fiquei desperta para o encontrar.

Quando se está desperto reparamos no que nunca antes tínhamos reparado.

Hoje reparei: houve um momento mágico em que se fez silêncio. Era o silêncio de outras paragens.

- As pessoas lá são diferentes, não falam.

Aqui também não. Na maior parte do tempo juntam sílabas apenas. É uma sorte ter com quem falar. E com quem calar.

Um bom silêncio é como uma boa conversa: acalma-nos. Como uma canção de embalar.

«Golden slumber kiss your eyes,
Smiles await you when you rise.
Sleep,
pretty baby,
Do not cry,
And I'll sing you a lullaby.»

O silêncio é raro. Deve ser por isso que gosto de caminhadas à noite e de tardes em casas aquecidas. Porque há silêncios nestes locais. Silêncios bons e reconfortantes, cheios de som e significado. Cheios de palavras.

Não é preciso ir para Oriente. Podemos ficar parados e ouvir...

Shuuuuuuuuuuuuuu... Fiquemos assim, sem dizer nada, e sei que esta silenciosa canção de embalar te vai encontrar.

Monday, December 11, 2006

Um simples interruptor

Já estive deitada hoje. Tal como ontem, após revoltear vezes sem conta, levantei-me sem conseguir dormir. Mas, ao contrário de ontem, hoje sei o que me mantém acordada.

Sentir a fragilidade do ser faz-nos pensar. E o pensamento não nos deixa fechar os olhos.

«Gostava de ter um interruptor para desligar o pensamento»...

Também eu. Desligava o meu e o teu à vez. Sempre que se aproximasse um daqueles que te ia deixar a velar noite dentro à espera que fosse finalmente dia, desligava. Sempre que me fugisse a esperança do pensamento, desligava.

Há 'clicks' muito menos importantes que já foram inventados. Podiam inventar este.

Já agora inventem um mundo parecido com o que temos no pensamento, por favor.

«Pode ter discos voadores?»

Pode... Pode tudo.

Dorme bem meu menino. Mas acorda todos os dias. Tem que ser...

Saturday, December 09, 2006

Waiting to be amazed

Amazing - Aerosmith

I kept the right ones out
And let the wrong ones in

Had an angel of mercy to see me through all my sins

There were times in my life
When I was going insane
Trying to walk through
The pain

When I lost my grip
And I hit the floor
Yeah, I thought I could leave but couldn´t get out the door

I was so sick and tired
Of living a lie
I was wishing that I
Would die

It´s Amazing
With the blink of an eye you finally see the light
It´s Amazing
When the moment arrives that you know you´ll be alright
It´s Amazing
And I´m saying a prayer for the desperate hearts tonight

That one last shot´s a Permanent Vacation
And how high can you fly with broken wings?
Life´s a journey not a destination
And I just can´t tell just what tomorrow brings

You have to learn to crawl
Before you learn to walk
But I just couldn´t listen to all that righteous talk

I was out on the street
Just trying to survive
Scratching to stay Alive

It´s Amazing
With the blink of an eye you finally see the light
It´s Amazing
When the moment arrives that you know you´ll be alright
It´s Amazing
And I´m saying a prayer for the desperate hearts tonight

Friday, December 08, 2006

Sem timoneiro

Já voei.
Envolta em beleza, ganhei asas e voei.

A sensação de voar fez-me sonhar que podia ser guiada até atingir as estrelas.

Deixei-me levar pelo sonho e fui seguindo, convencida que não ia sozinha.

Estava de olhos fechados. Não precisava de os abrir porque via claramente o caminho.
Procurava o sol, mesmo sabendo que se o atingisse podia ficar sem asas.

Mas começou a ficar cada vez mais frio e os olhos abriram-se em busca de explicação. As estrelas deviam trazer calor.

Estava a voar sozinha.

Voei, sem timoneiro. Perdi-me e vim aqui parar .

E aqui só há buracos negros. Não sei onde ficaram as estrelas do sonho. Talvez devesse ter sentido frio mais cedo.

Mas voei. Entreguei-me de braços e alma abertos e voei. E esse é que era o sonho.

Eu já voei. E tu?...

Friday, November 24, 2006

...Será mesmo fatal?

...que não possa ser eu o brinquedo preferido neste faz de conta que é a vida?

«Agora eu era o herói
E o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cowboy
Era você além das outras três
Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões
Guardava o meu bodoque
E ensaiava um rock
Para as matinés

Agora eu era o rei
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei
A gente era obrigado a ser feliz
E você era a princesa
Que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país

Não, não fuja não
Finja que agora eu era o seu brinquedo
Eu era o seu pião
O seu bicho preferido
Vem, me dê a mão
A gente agora já não tinha medo
No tempo da maldade
Acho que a gente nem tinha nascido

Agora era fatal
Que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá desse quintal
Era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no meu mundo
Sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim»
(Chico Buarque)

Monday, November 20, 2006

Ao som de uma música

Queria estar apenas na minha companhia e quem sabe chorar. Mas o mundo entra-me pelos olhos dentro e seca-os.

Ultimamente encontro o meu maior conforto na música. Neste momento ouço Queen. I want to break free. A rádio sabe sempre o que passar para mim.

'I'm falling in love for the first time, this time I know it's for real.'

Nunca distingo muito bem o que é real do que desejo de tal forma que componho com indícios que mais ninguém vê.
Às vezes penso que a culpa é minha. Outras percebo que a culpa que tenho é dar sem perguntar se vou receber. Porque acredito na dádiva e sou contra trocas.

Mas nunca se devia querer dar o que o outro não quer receber. Se uma prenda, mesmo que dada de alma e coração, não é desejada, não há nada a fazer.

Há pouco tempo comprei uma prenda sem destinatário. Porque gostei do objecto em si. Gostava de o ter recebido das mãos de alguém. Por isso comprei-o. Merecia ser dado a alguém especial que o acarinhasse. Pensei, escolhi e tive a surpresa agradável de ter acertado. Quem o recebeu, apreciou-o tanto como eu teria apreciado se o tivesse recebido. Foi um momento mágico aquele.

Mas nem sempre acertamos.

'God knows, got to make it on my own...'

A música acabou.

Saturday, November 18, 2006

O grito

Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!

Thursday, November 16, 2006

Uma estranha atracção

Esta música sempre me atraiu de uma forma estranha. Sempre gostei dela nos momentos em que me sinto mais fora de contexto, aqueles em que me parece que nunca chegarei a ser... 'o brinquedo preferido', aqueles em que não encaixo em lado nenhum. Sinto-me pequenina e insignificante perante o esplendor de uma estrela cadente. Fico sem palavras e baixo os olhos...

Radiohead - Creep

When you were here before
Couldn't look you in the eye
You're just like an angel
Your skin makes me cry
You float like a feather
In a beautiful world

I wish I was special
You're so fuckin' special
But I'm a creep,
I'm a weirdo.
What the hell am I doing here?
I don't belong here.

I don't care if it hurts
I want to have control
I want a perfect body
I want a perfect soul
I want you to notice
When I'm not around

You're so fuckin' special
I wish I was special
But I'm a creep,
I'm a weirdo.
What the hell am I doing here?
I don't belong here.

She's running out again,
She's running out
She's run run run running out...

Whatever makes you happy
Whatever you want
You're so fuckin' special
I wish I was special...
But I'm a creep,
I'm a weirdo,
What the hell am I doing here?
I don't belong here. I don't belong here.

Wednesday, November 15, 2006

Uma luz no escuro ofusca as demais

«Sozinho na noite
um barco ruma para onde vai.
Uma luz no escuro brilha a direito
ofusca as demais.»

(Quando uma luz é mais especial que as outras, quando brilha mais intensamente e nos ofusca é difícil ver o que se encontra à volta)

«E mais que uma onda, mais que uma maré..
Tentaram prendê-lo impor-lhe uma fé...
Mas, vogando à vontade, rompendo a saudade,
vai quem já nada teme, vai o homem do leme...»

(Vou atravessando as vagas e rompendo a saudade. Não temo nada a não ser a ausência da luz no escuro. Não temo. Apenas deixei escapar o leme.)

«E uma vontade de rir nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir,
a vida é sempre a perder...»

(Vontade de rir? Uma gargalhada profunda que, no fundo do ser, se cruzou com as lágrimas que substituiu. A vida continuará a ser sempre a perder?)

Wednesday, November 08, 2006

Oportunidades

Uma tarde em paz, de poucas palavras, junto de quem nos quer bem; um café onde se conta a conversa que nos fez sonhar; um jantar em que nos sentimos bem e por isso cantamos e sorrimos mesmo estando um pouco tristes; uma noite em que sentimos o calor da companhia desejada; o não ter medo de dizer nada; a promessa de um passeio; a partilha do sonho da viagem ao fim do mundo...

Um concerto de Chico Buarque.
Uma alusão a Belimunda.
Um desenho de uma bruxa boa.
Um sorriso. Porque se acredita que se pode ser o herói e o brinquedo preferido.
Oportunidades.

Monday, October 30, 2006

Entre o nevoeiro e o vento

Sonho meu. Ao olhar hoje para o post anterior lembrei-me dessa música...

Sonho meu, sonho meu, vai buscar quem mora longe, sonho meu...
Vai mostrar esta saudade, sonho meu... Com a sua liberdade, sonho meu.
No meu céu a estrela guia se perdeu...
A madrugada fria só me traz melancolia, Sonho meu.

É antiga esta música. Da primeira parte nunca me esqueci. Provavelmente porque a estrela guia anda sempre a perder-se nas noites frias por aqui. Mas do resto já não me recordava:

Sinto o canto da noite na boca do vento, Fazer a dança das flores no meu pensamento.
Traz a pureza de um samba, sentido marcado de mágoas de amor
Um samba que mexe o corpo da gente... O vento vadio embalando a flor.

Estou neste momento assim: embalada pela dança das flores que tenho no pensamento. As flores são momentos. Pequenos como só os momentos importantes o podem ser sem que se tornem insignificantes. Porque são daqueles que enchemos de significados. Únicos.

Sinto o meu corpo mexer ao ritmo dessa pureza do samba. O samba dos amores perdidos. Dos que nunca existiram. Dos inventados. Dos que nunca quiseram ser. Dos eternos enquanto duraram. Dos que não consegui corresponder. Dos que não me quiseram devolver. Dos que não consegui esquecer.
Sinto o meu corpo mexer. Ao ritmo do samba de todos esses amores. Porque muito mais triste do que perder, é não querer. Este querer faz o corpo mexer.

Lá fora está nevoeiro. Senti-o ao caminhar pela rua.
Foi uma boa surpresa encontrá-lo no caminho para casa. Aconchegou-me enquanto não encontrei outra companhia. Depois cruzei-me com o vento vadio que me embalou no regresso à minha nuvem sem se dar ao trabalho de perguntar de onde eu vinha. Prefiro o nevoeiro que no seu abraço me faz sentir acompanhada. Prefiro o nevoeiro cuja presença envolve e faz-se sentir. Prefiro o nevoeiro mesmo sendo quase uma ilusão. Mas é o vento vadio que me visita mais vezes.

Sonho meu, sonho meu, vai buscar quem mora longe, sonho meu...
Vai mostrar esta saudade, sonho meu... Com a sua liberdade, sonho meu.
No meu céu a estrela guia se perdeu...
A madrugada fria só me traz melancolia, Sonho meu.

Prefiro o nevoeiro que é a minha nuvem a desfazer-se mas que me sustenta no ar.

Monday, October 09, 2006

O sonho era só meu

Ando há uns tempos para escrever sobre a sensação de estar na primeira fila de uma parada. É uma sensação que me assalta desde muito nova. A primeira vez que me lembro da minha mente ter sido invadida por essa imagem estava no início do secundário. Teria 13 ou 14 anos.

Quando os anos começam a passar e eu começo finalmente a esquecê-la, algo sempre acontece. E volto a estar exposta na parada...

Apesar de imaginar esta situação como uma parada, na verdade a melhor forma de dar vida a esta imagem é pensar numa fila de pessoas perante um pelotão de fuzilamento.

É aí que eu estou. Sou uma dessas pessoas que aguarda a morte. Estamos ali por um motivo comum.

A honra. Uma causa. Um objectivo. Uma ideia. Um sonho. Tanto faz. É o que nos une.

As armas são levantadas. Mas não é o som do engatilhar que se ouve... É algo indistinto, que se assemelha ao rumor de um gigantesco corpo que se arrasta.

Mas não é um corpo. São vários.

Não estou vendada. Como nunca o estaria perante um pseudo-algoz. Por isso continuo a fixar aqueles dos quais receberei o golpe fatal.

A expressão que vejo no olhar desses que agora hesitam diz-me que algo aconteceu.

Viro lentamente a cabeça para os lados. Estou sozinha.
Todos deram um passo atrás.
O sonho era só meu.
Sempre.
Morro sozinha.

Thursday, October 05, 2006

Quero ser tudo!

Quero ser tudo!

Como os miúdos dou por mim a quer ser todos os heróis que se cruzam comigo. Mas os meus heróis não são feitos de papel aos quadradinhos. São feitos de pele e sentimentos, de risos e movimento.

Há poucos dias quis ser uma sevilhana para poder dançar depois de carmen, uma vida breve e um bolero... Fazer elevar as saias com um subtil toque do joelho que roda, dançar ao ritmo das palmas típicas do flamenco e das castanholas.

Hoje queria ser um gato. Mexer-me com o sinuoso movimento felino. Ronronar, sibilar, rolar... Pensei que podia ser o gato. Em vez de um, podia ser O gato. Faz toda a diferença. Seria A gata, neste caso...

Falta-me a lareira. Os gatos gostam de lareiras. Este ano acenderei a minha.

Quero ser tudo! Mas o tempo não chega...

Tuesday, September 26, 2006

Levada pelo vento

Há dias em que o equilíbrio surge sem aviso. De repente, um momento parece tão certo que nos faz achar que tudo no mundo está no seu devido lugar. Hoje sinto-me assim. Sinto-me bem comigo. Sinto-me perfeita na minha liberdade. A simples liberdade de andar na rua sozinha. Sem medos. Sem contas a prestar. A ninguém.
Não preciso de nada mais para estar completa. Nada mais além do que tenho.
Nada mais além de mim.
É uma sensação que vem de dentro. Independentemente de tudo. Uma sensação de paz.

Sei que é uma sensação passageira. Já a tive outras vezes. Mas hoje é como estou. Hoje sou isto. Amanhã serei aquilo ou ainda isto. Não é importante. O importante é que este é um momento perfeito.

A única imagem que me ocorre para descrever este momento é uma cena do filme 'Beleza Americana', a cena do saco a ser elevado pelo vento. Livre. Belo na sua simplicidade. Sempre adorei essa cena.

Em dias como este, sinto-me tão bem que parece que não tenho peso. O corpo não existe e em vez de andar flutuo, levada pelo vento.

Thursday, September 14, 2006

Time after time...

Quanto tempo se fica preso ao que se perde? E quanto tempo se espera pelo que se deseja? E se não se deseja? Alguém tem culpa?

Quais as fronteiras temporais de uma vida que se dá e que não é aceite? Chora-se sempre? Desaparece a tristeza ou simplesmente aprendeu-se a reter as lágrimas? E a saudade, permanece de facto?

Hoje partilho a tristeza de uma amiga. E as minhas lágrimas são as dela. É mais uma curva no caminho. Apenas. Um mero desvio.

Time after time. A vida é um circulo e estamos sempre de regresso ao ponto de partida. O jogo está viciado. Alguém está constantemente a alterar as regras. Não sei se é possível ganhar. Mas devemos tentar. Eu quero tentar...

Saturday, September 02, 2006

Só por esta vez...

...Escrevo para quem lê.

A esta nuvem - que é tão passageira como a tua - deixei-a estar escondida como me parecia ser sua vontade.

Devemos deixar sempre que as nuvens sigam o seu próprio curso, sem lhes impôr rotas pré-definidas. Só assim podemos ir descobrindo o seu verdadeiro destino, aquele que se constrói passo a passo, sem fados, sem condicionalismos ancestrais. Um destino que nasce de cada opção, do desejo, da vontade, do empenho e, tantas vezes, do acaso de tropeçar numa pedra do caminho.

Escrevo sempre para alguém. Sempre para mim. E tantas vezes para pessoas que nunca irão tropeçar nesta nuvem nem saberão da sua existência. Escrevo para quem não lê. Mas é bom saber que de vez em quando há outras nuvens que se cruzam neste mesmo céu.

Quando a outra nuvem passar de novo (obrigada por quereres voltar aqui) encontrará algo para lhe tornar o dia mais brilhante, não se vá dar o caso de ser um dia em que esteja mais cinzenta e não tenha ouvido estas palavras arrastadas pelo vento:

"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço que a minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e tornar-se autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta . Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo... "

O grande Fernando Pessoa, tão grande que não ficou confinado a apenas um corpo.

Thursday, August 31, 2006

Um dia vou construir um castelo...

Nem sempre a vida nos corre de feição. Queríamos que o percurso fosse menos acidentado, com menos percalços, maior facilitismo... Queríamos mesmo? Não. Quando penso a sério na vida, em dias em que, como hoje, a lua surge esplendorosa no céu mesmo não estando cheia, percebo que não quero nada disso.

Lá sentiria o doce sabor da conquista, se tudo me fosse dado de mão beijada?

Que prazer podia tirar de percursos planos, sem as subidas íngremes que nos permitem sonhar com o que estará do outro lado do aparente horizonte?

Estará a lua menos bonita hoje, só porque não está cheia?

Não.
A vida não tem que ser fácil. Não teria o mesmo intenso sabor se o fosse. Só tenho que acreditar que, um dia, vou construir um castelo.



'Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo...' - Fernando Pessoa

Thursday, August 17, 2006

Sentada na minha nuvem




Sonho.

Wednesday, August 16, 2006

As pessoas que fazem a diferença

Em primeiro lugar? Os AMIGOS. Os que escolhemos e nos escolhem de volta. Aqueles que nos dizem coisas sem sentido como 'Gostas dessa almofada? Ainda bem porque ela também gosta de ti'. Coisas que fazem todo o sentido.

Em segundo lugar? Os AMIGOS. Os que vêm ter connosco mesmo quando não queremos ou fingimos estar bem. Aqueles que torcem para que tudo se resolva, apoiam, incentivam, ajudam, aconselham e nos dizem coisas sem sentido como 'Não tenhas medo...' Coisas que fazem todo o sentido.

Porque nada faz sentido sem AMIGOS. Nem olhar para um maravilhoso luar. Nem passear. Nem rir. Nem chorar. Nem escolher uma pedra na praia. Nem a paixão ou o amor. Nada.

As pessoas que fazem a diferença. Porque são diferentes. Porque são AMIGOS.

Monday, August 14, 2006

Medo

Talvez seja do frio que acompanha as noites sem luar.
Ou dos ruídos que, no silêncio nocturno, se tornam desconhecidos.
Talvez seja do abandono da escuridão.
Ou do próprio silêncio ensurdecedor.

Talvez seja. Mas o que é certo é que, ao cair da noite, os medos se multiplicam e nos invadem.

Só em noites de lua cheia o uivar dos lobos é reconfortante. Na escuridão, nem os grilos (en)cantam.

Wednesday, July 26, 2006

Palavras... à toa?

Ouço, toco, vejo.
Reflicto, sonho, desejo.
A palavra, o abraço, um beijo...

Procuro, encontro, sinto.
Hipnose, entrega, absinto.

Estou. Fico. Vou.
Volto? Sou.

Silêncio.

Monday, July 24, 2006

Há coisas sem explicação

É inexplicável como algumas pessoas nos tocam e nos mudam para sempre sem sequer se aperceberem que tiveram qualquer efeito nas nossas vidas. Há um injusto sentimento de rejeição inerente a essa ausência de consciência. Ninguém se pode sentir rejeitado por quem não sabe que fez a diferença. Nenhuma culpa se pode atribuir a quem não conseguiu ou não quis ser mais.
Só não se pode fingir que isso não nos afecta. Cada passo é uma aprendizagem em que se ganha mas em que também se perde. Por vezes muito.
A imaginação leva-nos por caminhos estranhos. Mas é importante que quando nesses caminhos encontramos uma parede intransponível saibamos de facto virar-lhe as costas. É apenas mais um percurso. Mais imaginado do que vivido. Mas faz diferença imaginar o que podia ter sido mas não foi e o que, necessariamente, vai deixar de ser. Porque não há duas pessoas iguais. Como não há dois sentimentos iguais.

Wednesday, July 12, 2006

Às vezes sou o lago onde caiu a pedra...

Quando os outros não nos vêem como de facto somos, como lhes mostrar o outro lado do espelho?

É difícil encontrar quem queira ver para além do efeito distorcido e ilusório provocado pelas ondas. Também não é fácil encontrar a quem se queira mostrar o que se esconde além da superfície.

Com os amigos é mais fácil. Os amigos agitam eles próprios o espelho de água aparentemente estagnado mas não ficam hipnotizados pelos efeitos especiais criados.

Os amigos vêem longe. Os amigos são águias.

Monday, June 26, 2006

Ciclos incontornáveis

Um quarto despido de vida em que a ausência de som marca uma presença pesada que ocupa todo o espaço vazio. Só um coração a bater para a única janela aberta direccionada ao céu. O pulsar é abafado pelo frio da noite. Fechar a janela. Não... Pior que o frio seria o total silêncio. Por enquanto ouve-se o impacto do vento nos ramos das árvores. É um som estranho este da madeira a estalar. Mas reconfortante. Estala qualquer coisa por dentro. Ao ritmo do vento.

Os olhos fecham-se para deixar penetrar o som nocturno. Cada vez mais profundamente até trazer à superfície o eco dos dias.

Dias despidos de luz. Cinzentos ou amarelecidos. Fechar a janela ao frio não é uma opção. Não... Por enquanto ouve-se o impacto do vento nos ramos. Como tem que ser. As folhas secas podem entrar. Como tem que ser. Mais tarde, pela abertura mantida a custo, entrará uma onda de luz... Num outro ciclo de vida. Porque os ciclos sucedem-se. E isso é incontornável.

(um beijo aos amigos que me ajudam a varrer as folhas velhas e a manter a janela aberta)

Wednesday, June 14, 2006

O Vazio

Há vários tipos de vazio.
Há o que cresce lentamente sem se dar por ele.
O que simplesmente aparece e surpreende-nos com a sua dimensão.
Vazios brilhantes preenchidos com estrelas.
Vazios simplesmente buracos negros.
Vazios em que nos perdemos.
Vazios em que nos encontramos.
Vazio com cor, sem cor, repleto de som ou cheio de silêncios.
Vazio sem significado, vazio que quer dizer tanta coisa.
Vazio onde gritamos e faz um eco solitário.
Vazio onde calamos e o mundo ouve.
Vazio onde nos revêmos.
Vazio onde não há reflexo.
Vazio que é dor.
Calor.
Medo.
Amor.
Tudo.

Há vazios que são abismos.
Há vazios que somos nós.

variações... sobre Variações (hoje e sempre)



Muda de vida

Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar

Ver-te sorrir eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca te ouvi
Será de ti ou pensas que tens... que ser assim?...

Olha que a vida não, não é nem deve ser
Como um castigo que tu terás que viver.



Estou Além

Nao consigo dominar
Este estado de ansiedade
A pressa de chegar
P'ra não chegar tarde

Não sei de que é que eu fujo
Será desta solidão
Mas porque é que eu recuso
Quem quer dar-me a mão

Vou continuar a procurar
a quem eu me quero dar

(...)

Esta insatisfação
Não consigo compreender
Sempre esta sensação
Que estou a perder

Tenho pressa de sair
Quero sentir ao chegar
Vontade de partir
P'ra outro lugar

Vou continuar a procurar
A minha forma
O meu lugar.

Monday, June 12, 2006

Não te acompanho mais

(...)
Que estranha forma de vida
tem este meu coração:
vive de forma perdida;
Quem lhe daria o condão?
Que estranha forma de vida.

Coração independente,
coração que não comando:
vive perdido entre a gente.
(...)

Eu não te acompanho mais:
pára, deixa de bater.
Se não sabes onde vais,
porque teimas em correr,
eu não te acompanho mais.
(Que estranha Forma de Vida - Amália Rodrigues)

E pronto. Não te acompanho mais, ouviste?!
Aprende mas é o teu caminho. Não segues por onde te mando, escolhes sozinho, corres sem me dar ouvidos. Entras em becos, perdes-te em atalhos. E depois páras. Como agora. Como se não houvesse caminho...
A tua perversão é acreditares no verdadeiro amor. Desiste. Acho que não há caminho certo.

Não te acompanho mais. Estás perdido. Desiste.

Thursday, June 08, 2006

Insónia

É oficial. Estou com uma insónia.
As últimas trouxeram-me pesadelos e noites mal dormidas de olhos brilhantes a fitar o tecto. Esta é diferente...
Esta faz-me sorrir e desejar que amanheça só para ser amanhã.

Da janela não se vêem estrelas. Estão demasiado longe para iluminar o quarto. Mas há luz na noite.
Não se ouve o mínimo ruído. O mundo dorme. Mas há notas musicais na minha cabeça.
Estou sozinha. É como se nada existisse fora deste quarto. Mas esta insónia não é solitária.

É oficial. Estou com uma insónia. Mas das boas.

Viver

Abro os braços e deixo que o vento me eleve acima das nuvens.
A visão panorâmica do mundo faz-me estremecer.
Contemplo a beleza dos momentos e as lágrimas encontram o caminho da terra.
Deixar ir...

O medo das alturas ficou no chão. O peso do corpo sustentado pelo vento. A alma leve.
Procuro esse centro do mundo. Desde o início dos tempos.
As nuvens afastam-se e abrem caminho. Para onde?
Partir...

A sensação de que não se volta. De que não se quer voltar.
Ficar. Acima das nuvens. Onde a beleza do mundo não nos pode atingir.
A âncora que nos segura. Pode ser uma pedra. Pode ser uma palavra.
Viver.

Monday, June 05, 2006

Era uma vez... outra nuvem!


A nuvem que parou, ficou...
Cinzenta e púrpura, bela.
Nao devia, mas não se deixa levar.
Tem vontade própria!
É o brilho dos teus olhos que a move...
Olha para outro lado, amiga.
Move o corpo em círculos para achares o outro centro do Mundo!
O teu - só teu!
A nuvem que agarraste entre os dedos,
cordel de um balão amarelo...
a nuvem que te agarrou a ti
com força.
A mesma que tens de deixar ir por fora e meter numa caixinha de música por dentro!
Não faltam nuvens, amiga...
Solta essa que não te deixa ver as outras, mais claras, mais leves, mais céleres!
Deixa-a ir como se já devesse ter ido!
Depois, acomoda-te num canto da TUA nuvem, a que importa, a tal, a outra...
A que não precisa de nome para ser importante!
A que te dá calor em dias de chuva!
A que te chama pelo nome quando acordas.
A que te dá chão e nao te deixa cair.
Aninha-te nela e fica a ouvir a chuva cair do outro lado do arco-íris.
Depois, adormece...
de mão dada com a tua nuvem!

Tuesday, May 02, 2006

E o mundo desaparece...

Depois de um fim de semana que me soou a férias, excelente portanto, um início de semana animador com uma notícia fantástica.
Vou fazer uma coisa que adoro: uma sessão de Shibari. Quem não sabe o que é que procure (detesto a preguiça).
O Shibari é algo de absolutamente transcendente. Uma arte de maravilhosos contornos estéticos que, pelo menos para mim, implica uma envolvência emocional fora do comum. Há algo de divino nos momentos partilhados numa sessão de Shibari. Não sei explicar a sintonia que existe. Não sei explicar o sentir o que o outro sente. Não sei explicar aquele esquecer o mundo. E quando o mundo se impõe, incomoda, como uma interferência não autorizada em algo extremamente intimo.
Tudo se relativiza e desaparece. Tudo perde significado, excepto duas pessoas e as respectivas sensações.
Talvez seja o mais perto de meditação que eu já estive.
Quando abrir os olhos, que tenha a mesma sensação de regresso à realidade e tudo estará no seu devido lugar.
Há sensações demasiado especiais para se conseguirem explicar.

Friday, April 28, 2006

Excessos...

Primeira ida ao psicólogo... Pré-diagnóstico: 'excesso de honestidade'.
Que curioso. Nunca pensei que isso fosse um problema. Ouvir a explicação de que nas relações humanas devemos ter jogo de cintura e omitir as verdades é surpreendente. Claro que ninguém se atreve a dizer: MINTA. Fica a sugestão subentendida... 'Não, não está a agir mal. Mas é melhor que não o faça, as pessoas não querem ouvir toda a verdade, pode assustá-las'.
Ao menos já percebi porque raio às vezes tenho essa sensação de que algumas pessoas se evaporam... Excesso de frontalidade.
Não se pense que agrido alguém propositadamente. Apenas digo o que sinto realmente. Pelos vistos, dizer que se gosta quando se gosta é uma agressão.
Os mentirosos compulsivos devem safar-se bem neste mundo às avessas.

Monday, April 24, 2006

A vida é sempre a perder...

Hoje fui à praia.
Sentei-me a ler, ignorando o vento que me despenteava e tentava impedir que acabasse o livro. Quando me cansei de tentar domar o cabelo, e terminada a leitura, fitei o mar e o areal.
A visão de um mergulhador que se preparava para entrar no mar, certamente para se dedicar à pesca submarina, recordou-me um amigo perdido.
Se não tivesse perdido esse amigo ter-nos-íamos rido muito os dois a olhar para aquele mergulhador. Teríamos inventado imensas histórias sobre o fato que ostentava e sobre qual seria o resultado da pescaria.
O fato era mesclado e lembrava um camuflado. Talvez fosse um espião. Não. Inventar a sós tem muito menos graça. Só me arrancou um sorriso. As gargalhadas são algo que tem que ser partilhado.
Foi mais um amigo que perdi. Ia escrever 'foi só mais um amigo que perdi', mas quando se perde um amigo não é 'só' um amigo. É alguém que nos marcou e que nos fez bem durante o tempo em que se cruzou no nosso caminho. Espero que esteja agora a ser amigo de outras pessoas.
Quando o perdi já não se comportava como um amigo. Mas foi. E sinto-lhe a falta. Como sinto a falta de todos os que já saíram da minha vida. E questiono-me se alguma vez pensarão em mim.
Eu nunca esqueço um amigo. Nem quando parte. Nem quando já não o quer ser.

Mergulhar de cabeça

Este é o meu blog. Nunca tinha tido um e não teria se não fosse uma prenda. Dado de coração, recebo-o como um dos muitos tesouros que já recebi da minha Amiga. O único jantar surpresa, a moedinha de colecção, um belo sorriso, palavras duras, palavras doces, lágrimas a duas, riso, muito riso, uma nuvem... Obrigada por me dares coisas especiais.
Não sei como o tratar. Talvez mergulhe nele como tento fazer com a vida, de cabeça, com medos mas sempre disposta a experimentar o sabor de tudo. Nenhum medo me paralisa. Recuso-me a deixar que isso aconteça. Nem o medo do espaço em branco onde escrevo neste momento.
A minha nuvem ainda não tem rumo. Não sei se virá a ter. Vou simplesmente deixar que ela me leve. Como tentarei deixar ir as nuvens sem forma que trago coladas a mim.
Sejam bem vindos os que se perderem e tropeçarem neste bocadinho de algodão que espero que seja muitas vezes doce.

Esta é a minha nuvem e, aqui, posso TUDO.

Saturday, April 22, 2006

A Pedra Na Mão!

Este blog foi oferecido à minha Amiga, por ser a única irmã que tenho...
Espero que lhe traga tantos sorrisos como ela me tem feito sorrir a mim. Com ou sem pedras na mão, mas que sorria até ao último dia!
Um beijo do tamanho de uma certa praia onde recebi um dia uma certa pedrinha...
Que trago até hoje no coração!

ML